O MDM solidariza-se com a República Bolivariana da Venezuela no seu desígnio de manter a paz e a sua soberania, lutando contra a violência interna de uma oposição que não respeita os princípios de expressão democrática e contra a violência externa que os EUA têm estimulado e agora claramente fica demonstrada com o seu plano anunciado de ingerência militar. A resposta popular de mais de 8 milhões de pessoas ao apelo de Nicolás Maduro, com um voto inequívoco e documentado, mesmo debaixo de tentativas de violência, significa a adesão de uma grande parte da população ao desejo de paz, e uma manifestação daqueles e daquelas que não se revêem nos métodos violentos das “guarimbas, molotov e petardos” lançados sobre organismos oficiais para destruição de pessoas, bens e serviços ou forças de segurança.

O MDM tem relações de amizade com várias organizações sociais e de mulheres venezuelanas e acompanha com entusiasmo os êxitos sociais, de educação, saúde habitação, emprego, alcançados com a revolução, num país onde as desigualdades, a fome e a miséria, eram patentes e gritantes.

Reconhecemos que compete aos venezuelanos superar as suas dificuldades, sem intromissões, ameaças ou quaisquer condicionamentos. As sanções económicas de carácter unilateral, impostas pelos EUA contra o povo venezuelano, para além de constituírem uma violação do direito internacional são uma clara intervenção para criar obstáculos ao desenvolvimento e ao progresso económico e afecta directamente a qualidade de vida do povo. Mais uma vez são as mulheres e as crianças que sofrem o maior desgaste com a carência de alimentos, medicamentos, ou outros bens desviados e escondidos para gerar confusão e discórdias.

Repudiamos as declarações de TRUMP, Presidente dos EUA, ameaçando uma possível invasão militar à Venezuela e condenamos os silêncios de governos da América latina e da Europa face a esta perigosa e ilegal intromissão.

O Governo Português, com interesses vários na Venezuela e com cidadãos portugueses ali radicados de há décadas, não pode seguir as palavras e os actos de uma parte da burguesia local que perdeu privilégios e desencadeou vários golpes, todos até aqui derrotados. O Governo de Portugal, não pode menosprezar as relações institucionais nem a Constituição da República Portuguesa e deve ouvir muitos e muitos portugueses que reconhecem os avanços naquele país para os milhares de pobres, e desejam ali viver e trabalhar em paz.

Experiências da Líbia, Síria, Iraque e outros países da região dos Grandes Lagos de África como Iemen ou Mali, não nos podem deixar “descansadas”. Foram invasões com fins meramente políticos, em nome da “democracia” americana e ocidental, que provocaram a queda de regimes pela força, milhares de mortes, milhares de refugiados, destruição de casas e do património da humanidade. Nada ficou resolvido na última década, com a morte daqueles governantes. Ao contrário, assiste-se a novas e duradouras instabilidades governativas, ao incremento de ideia fascistas, nazis, fundamentalistas. Foi alimentado e espalhado o terrorismo de guerra. E obviamente, perpetua-se a miséria e as precárias condições de vida daqueles povos, vítimas indefesas.

Apelamos a que esta injustiça não se repita na Venezuela…Perante posições diversas é pelo diálogo e a negociação, no respeito pela dignidade e a autodeterminação dos povos e não pela violência que se alcança a paz e as condições para a melhoria da qualidade de vida do povo.

Todo e qualquer plano impulsionado por Trump e os EUA de ingerência na Venezuela, tanto através da guerra económica como pela invasão militar, merecerá a indignação dos povos e das mulheres progressistas que lutam pela paz em Portugal e no mundo, porque reconhecemos que a nossa liberdade, igualdade e emancipação é indissociável do bem- estar económico, social e político dos respectivos países. Não há políticas de igualdade que sobrevivam às políticas de ingerência militarista.